| | Escrito por Record (Eugénio Queirós) | | | | PRESIDENTE DO CJ FOI ADVERSÁRIO DE VALENTIM Cabe só ao presidente do Conselho de Justiça da FPF prescindir do seu voto de qualidade, o que não deverá acontecer. O Paços de Ferreira pediu hoje a Gonçalves Pereira para pedir escusa da votação dos acórdãos do Apito Final que estão a ser julgados no CJ, com base no argumento de que o advogado que sucedeu ao juiz conselheiro Herculano Lima, em Outubro do ano passado, tem ligações a Gondomar e por consequência a Valentim Loureiro.
Gonçalves Pereira é vereador sem pelouro da Câmara Municipal de
Gondomar mas foi adversário político de Valentim Loureiro nas últimas
eleições autárquicas, que perdeu por larga margem. Valentim Loureiro
concorreu como independente, depois de Marques Mendes não ter
patrocinado a sua candidatura pela PSD, e recebeu do seu adversário um
grande elogio quando este se apresentou no terreno. Disse Gonçalves
Pereira que votaria no major se não fosse, ele mesmo, candidato do PSD
à presidência da Câmara. Para além do mais, o actual presidente do CJ já foi presidente da mesa
da assembleia geral do Gondomar e guarda-redes deste clube que também
tem um processo que pode levar à sua despromoção. Gonçalves Pereira
litiga também muitas vezes no tribunal de Gondomar, onde está a
decorrer o julgamento do processo originário do Apito Dourado. Recorde-se a demissão do anterior presidente do CJ se ficou a dever ao
facto de ter discordado de uma decisão do conselho, que decidiu reduzir
de 6 meses para 120 dias um castigo aplicado pela Comissão Disciplinar
da Liga a Valentim Loureiro, na sequência de um processo por injúrias a
Francisco Cebola e Pedro Mourão, antigos membros da CD da Liga, no
âmbito do "caso Mateus". A manter-se o castigo de 6 meses, como
defendia Herculano Lima, juiz jubilado do Supremo Tribunald e Justiça,
Valentim Loureiro estaria impedido de exercer qualquer cargo como
dirigente desportivo, deixando de liderar a mesa da assembleia geral da
Liga. Como o castigo foi reduzido, com o voto favorável de Gonçalves
Pereira, o major pôde continuar a ocupar o mais alto cargo da
hierarquia da Liga de Clubes. A reunião do Conselho de Justiça da FPF já começou na sede da FPF com a
presença de todos os 7 conselheiros. Os 14 processos alvo de recursos
do Apito Final - 3 do Boavista, por coacção, e 2 do FC Porto, por
tentativa de corrupção - foram distribuídos a 6 dos 7 conselheiros,
tendo Gonçalves Pereira sido o único que não foi relator de qualquer
processo. É bem possível que haja divergências nos projectos de
acórdãos em casos relativos ao mesmo clube e muito semelhantes na sua
base acusatória, o que poderá provocar acesa polémica entre um conselho
que já meteu todos os suplentes que podia e que, face a qualquer
demissão, está à beira da falta de quórum. A reunião que já decorre promete, por isso, ser longa, enquanto os
clubes interessados e os que podem vir a beneficiar de decisões se
mantêm na expectativa.
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