É desta forma que o autarca Marco Martins classifica a Festa em Honra de S. Bento e S. Cristóvão que arranca amanhã, dia 3 de Julho, e termina no dia 12. Por isso defende que “deveria existir outro tipo de apoio por parte do município.” Vivacidade (VC) - A festa em honra de S. Bento das Pêras e S. Cristóvão é um acontecimento que faz parte da história de Rio Tinto. O que significa para os rio tintenses esta comemoração? Marco Martins (MM) - As festas significam para a população as comemorações religiosas em torno do seu principal mártir. Na freguesia é a romaria que tem mais anos de existência, atrai mais visitantes e tem um significado muito especial para a população, que as considera as festas principais da cidade, até por se realizarem na Igreja Matriz da freguesia. Claro está que as outras romarias, designadamente o Senhor dos Aflitos, na Triana, o S. Sebastião e o Santo António do Corim, também representam muito para a população e são festas visitadas por muitos milhares de pessoas. VC - Qual o aspecto mais característico desta romaria? MM - Um dos aspectos mais significativos desta romaria, que passa despercebido a grande parte da população, é o destas festas venerarem dois santos. Pese embora na gíria serem comentadas como as ‘Festas de S. Bento’, a verdade é que elas são em honra de S. Bento das Pêras e S. Cristóvão, que é o padroeiro da freguesia. O dia do S. Bento é o 11 de Julho e o S. Cristóvão comemora-se sempre no Domingo seguinte ao S. Bento. Neste ano, e atendendo ao calendário, comemoram-se em dias consecutivos (11 e 12), por o S. Bento ser a um sábado. VC - O programa de festas, ano após ano, vai-se mantendo inalterado. Uma cidade como Rio Tinto não teria possibilidade de ter um cartaz festivo mais ambicioso? MM - De facto, o programa poderia ser melhorado, mas a verdade é que a Comissão de Festas também não tem recursos financeiros para o fazer. Para ajudar e tornar mais atraente a Festa, a Junta de Freguesia ainda complementa o trabalho da Comissão de Festas, ocupando alguns dias do cartaz com actividades como, por exemplo, o Sarau de Ginástica (com o apoio do Ginásio da Venda Nova), o Festival Etnográfico (organizado pelo Grupo da EB 2,3 nº 1) ou o Concurso de Karaoke. Sem dúvida que a Comissão de Festas poderia promover um cartaz festivo mais ambicioso, mas para isso precisava de mais apoios, nomeadamente da Câmara de Gondomar, uma vez que a Junta não pode apoiar mais. Só para terem noção, a Câmara contribui com cinco mil euros para a Comissão de Festas e a Junta de Freguesia com 2.500 euros, que é quase o dobro do apoio dado pelo Executivo anterior. E a Junta ainda suporta todas as despesas com o Concurso de Karaoke, com a Feira de Artesanato e com a limpeza diária do recinto das Festas e da zona de divertimentos. Relembro que quem arrecada todas as receitas dos feirantes, comerciantes e divertimentos, de licenças de ruído, vistorias, ocupação de via pública, entre outras, é a Câmara de Gondomar e não a Junta de Freguesia… VC - Como classifica o trabalho da Comissão de Festas? MM - O trabalho da Comissão de Festas é louvável e meritório. E que só é possível graças a um conjunto de cidadãos que, de forma dedicada e voluntariosa, se dedicam à causa. Alguns fazem-no, consecutivamente, há dezenas de anos e merecem por isso o meu reconhecimento. VC - Que actividades dinamizará a Junta de Rio Tinto durante esta romaria? MM - A Junta de Freguesia vai dinamizar a 8ª edição da Feira de Artesanato, que este ano se realizará no adro da Igreja, uma vez que era previsível que nesta altura o Mercado já estivesse demolido. Iremos ainda promover o IV Concurso de Karaoke, uma iniciativa que conta, de ano para ano, com cada vez mais participantes. Como ambas as iniciativas terão lugar na zona da Igreja (adro e palco), e não no Mercado como anteriormente acontecia, julgo que poderão trazer uma nova dinâmica à Festa. VC - As obras do Metro do Porto vão afectar a disposição da festa? MM - Sim, tal como já o ano passado previa, este ano as obras do Metro alteram a configuração da Festa. Todo o espaço para divertimentos que existia nas traseiras da Junta de Freguesia não pode ser ocupado. A alternativa que propusemos à Câmara, e que foi aceite, foi a de usar uma metodologia igual à já utilizada para a Festa da Cerveja e que decorreu sem quaisquer problemas: cortar ao trânsito a faixa nascente da Avenida do Rio Tinto, circulando o trânsito em dois sentidos na faixa poente. Poderá esta solução ser uma prova para que as festas corram melhor, pois com esta alteração e com a deslocação da Feira de Artesanato para o adro da Igreja, deixarão de existir quatro pólos da Festa (Largo do Mosteiro, parque das Piscinas, Mercado e Avenida do Rio Tinto) e passarão a existir apenas dois, sendo que a segurança dos peões será maior com o corte de trânsito na Avenida. VC - Esta romaria, no seu entender, é uma boa forma de promover Rio Tinto? MM - Claro que sim. Para além de milhares de visitantes que vêm participar nas actividades festivas, as comemorações religiosas atraem muitos forasteiros. Apesar de menos do que antigamente, ainda há algumas excursões vindas de outras paróquias, que no dia do S. Bento vêm visitar a Festa. E arriscaria ainda a dizer que, em termos de número de visitantes e de importância, é a segunda maior romaria do concelho, logo a seguir à Senhora do Rosário. Daí que defenda que deveria existir outro tipo de apoio por parte do município. VC - Que mensagem gostaria de deixar à população. MM - Tal como fazemos nas Festas de S. Bento e S. Cristóvão, que apoiamos fortemente, também continuaremos a apoiar todas as iniciativas que visem a melhoria da qualidade de vida da população aos diversos níveis: social, cultural, ambiental, limpeza, entre outros. O afincado trabalho que no dia-a-dia realizamos, seja de resolução de um pequeno problema ou de um grande assunto para Rio Tinto, como, por exemplo, o Metro, ou o aumento da segurança, dão-me, a mim e a toda a equipa da Junta de Freguesia, um enorme prazer e a satisfação concretizada de que efectivamente melhoramos a nossa cidade. Fazemo-lo por Rio Tinto! |