 Um automóvel despenhou-se ontem de manhã no rio Douro, provocando a morte dos dois ocupantes Damião Santos Magalhães, de 78 anos, e Maria Fernanda Dias Magalhães, de 75 anos. As vítimas, casadas, residiam em Valbom, a cerca de 25 minutos do local do acidente, junto à barragem de Crestuma, em Gondomar.
As circunstâncias do sinistro, ocorrido às 10.30 horas, são desconhecidas. Algumas testemunhas do sinistro asseguram que "a queda foi voluntária" e as autoridades, também, não descartam a possibilidade de suicídio. A população, quando reconheceu os sinistrados, não escondeu o choque. "Eram pessoas queridas da freguesia, sociáveis, com dois filhos - um engenheiro e um arquitecto - e netos. Tinham uma vida familiar estável e uma situação financeira confortável. Ele era reformado da Administração dos Portos do Douro e Leixões e tinha algumas propriedades, onde costumava entreter-se. Aparentemente, nada justifica isto. Estou estupefacto", desabafou o presidente da Junta de Freguesia de Valbom, José Gonçalves.
De acordo com relatos dos vizinhos, o Toyota Corolla cinzento em que seguiam não terá chegado a estacionar na marginal, caindo a grande velocidade no rio. "Não há qualquer hipótese de ter sido um acidente", garantiu Joaquim Pinto, emigrante em Paris, de férias em Portugal, que diz ter assistido a tudo. "Estava no pátio a mudar o carburador a um Mini, quando fui despertado pelo barulho do carro. Pensei que era mais um desses jovens que vem para aqui fazer peões. Depois vi o condutor a olhar para mim, um homem moreno, de cabelos brancos e óculos. Quatro segundos depois arrancou, ouvi um estrondo e, quando me levantei, o carro já estava capotado na água". A testemunha gritou, pediu socorro e cordas, mas a viatura ter-se-á afundado "em dez segundos".
O casal, que foi retirado do automóvel - ele, por volta das 11 horas; ela, 45 minutos depois -, ainda com as portas trancadas e as janelas fechadas, "não fez qualquer esforço para salvar-se", assegura Sílvia Oliveira, que estava a entrar em casa no momento do despenhamento. "Não só não travaram como havia marcas no chão devido ao condutor ter acelerado. Ainda vi a mulher a olhar para mim. Tinha a mão agarrada ao puxador do carro e um ar triste. Entrei em pânico, porque parecia à minha tia. Não era. E, pensando a frio, só podem ter feito de propósito. Gritei para ela abrir o vidro, mas nada fez", relata, acrescentando que "houve quem os tivesse visto a discutir antes de se atirarem". A mulher esteve internada num hospital do Porto, tendo regressado a casa há poucos dias. Entre os objectos pessoais encontrados na carteira, estava um tupperware repleto de comprimidos.
Sílvia Oliveira, que mora há 12 anos naquele local, ligou para o 112. "O INEM chegou em 20 minutos. os bombeiros demoraram meia hora", diz. O carro foi retirado da água já depois da 13.30 horas. Foi transportado par o cais de banho da Polícia Marítima. Os corpos, removidos do rio Douro pelos mergulhadores dos Sapadores do Porto, foram levados para o Instituto Nacional de Medicina Legal para serem reconhecidos pela família e aguardar autópsia.
Na operação participaram, ainda, os bombeiros de Melres e de Valbom e de Gondomar, a Polícia Marítima e a GNR de Gondomar.
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