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Ricardo Filipe da Silva Braga, com 22
anos, é o mágico do futsal português. Quer ser o melhor do mundo, tal
como os ídolos Cristiano Ronaldo, Deco, Zidane, Maradona e Ronaldinho
Gaúcho. Apesar de idolatrar as estrelas do futebol, é no futsal que
quer triunfar, embora tudo tenha começado nos relvados, ao serviço do
Fânzeres e do Cerco do Porto. Com 10 anos, teve a maior tristeza, a nível pessoal, numa vida repleta
de alegrias. A casa que o viu nascer ardeu, e Ricardinho pouco ou nada
conseguiu salvar.
"Foi um dos piores momentos. O meu pai trabalhava à noite, ele estava a
descansar e sentimos a casa muito quente. Vimos o incêndio, só tive
tempo de vestir umas calças e fugir por um campo de milho que havia por
trás da casa. Foi uma fase complicada, onde perdemos tudo o que
tínhamos. Felizmente, os vizinhos ajudaram e conseguimos arranjar a
casa onde os meus pais estão hoje, em Valbom".
Quando o Gondomar não o aceitou, fecharam-se as portas do futebol de 11
e abriram-se as janelas do futsal. "Era bem mais novo que os meus
colegas, bem mais pequeno, e comecei a ir aos treinos do Gramidense. A
Carolina, a treinadora, e o presidente, o Licínio, ajudaram-me bastante
e, no ano seguinte, quando quis voltar ao futebol de 11, os dois
pediram-me para ficar porque reconheceram talento para o futsal".
O salto para o Miramar dá-se de uma forma curiosa. Em vez de ser o
único a transferir-se, a treinadora fazia questão de o deixar sair se a
equipa toda saísse. "Depois de algumas propostas do Freixieiro e da
Fundação Jorge Antunes, apareceu o José Miguel Leite, do Miramar, com
uma proposta conjunta. A Carolina não hesitou e lá fomos todos para o
Miramar. Ao mesmo tempo, fizemos muitos torneios com o Freixieiro, onde
conheci o Zego, que me ensinou tudo o que sei hoje".
Após uma grave crise financeira, o Miramar viu-se na obrigação de
vender jogadores. Ricardinho estava na lista de dispensas. Luís
Moreira, actual director do futsal do Benfica, fez uma proposta e
Ricardinho acedeu. Paralelamente, Freixieiro e Fundação voltaram a
manifestar o interesse.
"Quem me conhece, sabe que sou um homem de palavra. Ainda hesitei, mas
a minha mãe empurrou-me para o Benfica, por causa da promessa que fiz.
Assim, deixei o Miramar e viajei para Lisboa, onde estou actualmente".
É ainda ao serviço do Miramar que Orlando Duarte o chama para a estreia
na selecção. "Com 16 anos, integrei um estágio onde mostrei valor e me
ajudou, hoje, a estar entre os grandes craques. A primeira
internacionalização deu-se em Junho de 2003, frente a Andorra. Ganhámos
8-3 e, infelizmente, não marquei. No entanto, ouvir e cantar o hino
pela primeira vez, foi uma verdadeira emoção. Quanto a golos, o
primeiro surgiu diante da Eslováquia, três dias depois".
Desde o dia 29 de Junho de 2003 até hoje, Ricardinho já marcou 31
golos, em 35 jogos. Usa a camisola 2, mas é o verdadeiro número 10. Os
golos e a magia nos pavilhões vão ser vistos neste Europeu e logo na
terra que o viu nascer. "Vamos jogar um Europeu em casa, e eu estou em
casa. Espero que a vitória seja de todos, não do Ricardinho, mas de
todos. Era excelente dizer que organizámos o torneio, vencemos e eu, à
parte, pensar Estou feliz por ter sido aqui!".
Quando um dia der o tudo por tudo nas
quadras, Ricardinho sonha ser treinador e abrir uma escolinha de
futsal, em Gondomar. "Apesar de ser uma profissão de alto risco, pois
nunca sabemos quanto tempo vamos estar no activo, quero ensinar tudo o
que sei às crianças e transmitir-lhes os meus conhecimentos. Se
possível, contribuir para o aparecimento de mais Ricardinhos. Quanto à
escolinha, é um projecto diferente. No fundo, para além de as ensinar,
quero ajudá-las da mesma forma que me ajudaram quando eu precisei. Em
Gondomar, porque aqui aprendi muito".
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