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Abr 17 2008
Inspector baleado à frente da mulher e dos dois filhos PDF Imprimir E-mail
Por JN (António Soares e Nuno Silva)   
17 de Abril de 2008
 

O inspector da Polícia Judiciária (PJ) do Porto baleado, ontem de madrugada, na Maia, pode ter sido vítima de uma tentativa de "carjacking", em que o alvo era a sua carrinha Audi A4. As autoridades chegaram a admitir que Carlos Castro - atingido a tiro de caçadeira na cara e numa mão - tenha sido atacado num acto premeditado de vingança, ligado à sua actividade profissional, mas a hipótese parece remota. O ferido, de 35 anos e afecto à Brigada de Homicídios, ficou internado no Hospital de S. João, fora de perigo, e terá de ser sujeito a cirurgias plásticas.



A tese de "carjacking" ganhou força pelo facto de a PJ ter tomado conhecimento de que, momentos antes do incidente, tinha sido roubado um outro carro, na Estrada D. Miguel, em Gondomar, cuja marca (Nissan Primera) coincidia com a do veículo onde seguia o autor do disparo e dois cúmplices. A força policial encetou uma verdadeira "caça ao homem" e terá pelo menos um suspeito. Trata-se de um jovem cadastrado, alegado membro de um gangue do Grande Porto que se dedica a assaltos à mão armada. Já tinha sido detido pela prática de crimes violentos, mas acabou sempre posto em liberdade.

Sem três dedos

O violento ataque deu-se pouco antes da meia-noite de ontem, em frente a uma urbanização da Rua Nova dos Altos, em Vermoim. O inspector da PJ tinha acabado de chegar ao local, na companhia da mulher (que seguia noutra viatura) e dos dois filhos, um menino e uma menina com seis a oito anos de idade. O casal estacionou os carros, retirou alguns sacos de compras e preparava-se para entrar no prédio. Surgiu então um Nissan Primera cinzento, de onde saiu um indivíduo encapuzado - descrito como "alto e usando um gorro de ski" - e munido de uma caçadeira de canos serrados. No veículo ficaram dois cúmplices.

O encapuzado dirigiu-se ao inspector, terá gritado e os dois terão tido uma breve troca de palavras, seguida de um disparo à queima-roupa desferido pelo desconhecido. O elemento da Judiciária foi alvejado na zona do maxilar e na mão direita, com a qual se terá tentado defender, num gesto que lhe terá custado três dedos, mas que provavelmente lhe salvou a vida. O trio pôs-se em fuga, sem levar o Audi A4.

"Ouvimos um grande estrondo e inicialmente pensámos que fosse um acidente. Fui à janela e vi o senhor esticado no chão, a jorrar muito sangue", contou um morador da urbanização, referindo que apenas conhecia o ferido de vista. "A esposa, desesperada, gritava 'Chamem o INEM, o meu marido foi baleado!'. Os filhos só tremiam", acrescentou uma moradora, que ainda foi levar uma toalha à vítima, para tentar estancar o sangue. Segundo testemunhas, Carlos Castro nunca perdeu a consciência, mas tinha grande dificuldade em falar. "Ele tentava dizer algumas palavras, mas deitava logo sangue pela boca", contou uma das pessoas que esteve no local, lamentando a "demora" do INEM, não obstante os vários telefonemas feitos pelos populares. "Levaram 20 minutos a meia-hora a chegar", afirmou um morador.

Segundo o JN apurou, o inspector tinha prestado serviço na PSP do Porto (nas brigadas à civil de uma esquadra) antes de ingressar na Polícia Judiciária, há cerca de sete anos. É definido como "calmo e metódico".

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