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"Pedi para meter cinco euros de gasóleo e o rapaz perguntou-me apenas se ia pagar em dinheiro ou com cartão, avisando-me que a máquina de multibanco estava avariada." Este é o relato de uma jovem, Andreia Moreira, que, tal como outros clientes, teve o seu carro abastecido por um ladrão "disfarçado" de gasolineiro durante um assalto à Cepsa de Rebordosa, em Paredes.
O assalto durou mais de duas horas, período de tempo em que o verdadeiro empregado esteve sequestrado com uma arma apontada à cabeça. No final, o roubo rendeu pouco mais de 500 euros.
Eram 21.25 quando três homens, todos com menos de 30 anos, subiram a Avenida dos Bombeiros Voluntários de Rebordosa, a principal via daquela cidade do concelho de Paredes, e irromperam pelas bombas de gasolina Cepsa, localizadas a cerca de 100 metros do quartel dos bombeiros locais. Em seguida, dois dos indivíduos, encapuzados e armados com pistolas (uma de calibre 6.35mm, de cor preta, e outra dourada e com um calibre maior), surpreenderam o único funcionário da estação de serviço que, naquele momento, se encontrava na cafetaria.
Segundo o relato deste empregado, com perto de 30 anos e residente em Gondomar, à GNR, dois dos assaltantes prenderam-lhe as mãos com braçadeiras plásticas e vendaram-no com fita adesiva. Enquanto isso, o outro elemento do grupo ficou junto às bombas e, sempre que um cliente chegava, fazia-se passar por funcionário da empresa e satisfazia o pedido, desde que o automobilista não pagasse com cartão de crédito ou multibanco. "Fui meter gasolina às 21.30 e quando lá cheguei estava tudo normal. Pedi para meter cinco euros de gasóleo e o rapaz perguntou-me apenas se ia pagar em dinheiro ou com cartão, avisando-me que a máquina de multibanco estava avariada", descreve Andreia Moreira.
Esta jovem residente em Rebordosa descreve o indivíduo que a atendeu como tendo cerca de 20 anos, não muito alto e magro. "Usava uma camisola vermelha", diz ainda.
A encenação alongou-se por mais de duas horas e Andreia Moreira não foi a única cliente a ter o seu carro abastecido pelo ladrão. "Ele atendeu-me como se fosse um funcionário normal e logo que eu saí chegou outro carro também para meter gasolina", conta ao DN. Durante este tempo, os outros dois homens tentaram arrombar o cofre que se encontrava preso ao chão no interior da cafetaria. "Eles não conseguiram arrombar a porta do cofre, e muito menos soltá-lo do chão, e acabaram por desistir. Antes de irem embora ainda roubaram 500 euros que o funcionário, que esteve sempre com uma arma apontada à cabeça, transportava com ele e que era o apuro desse dia de trabalho", refere fonte da GNR.
O assalto só foi descoberto quando o empregado da Cepsa conseguiu libertar-se da casa de banho na qual foi preso pelos ladrões e pediu ajuda no café mais próximo. "O rapaz das bombas apareceu lá fora com as mãos presas e com a boca tapada. Fui eu que o soltei com uma faca e ele pediu para chamar a polícia. Só nessa altura é que nos apercebemos que tinha havido um assalto", relata Conceição Ferreira, funcionária do café.
Também Carlos Rocha, gerente de um outro café localizado nas imediações da gasolineira e autor da chamada de alerta para a GNR, refere que ninguém deu conta do que estava a suceder a poucos metros. "Estávamos todos a ver o Sporting/Benfica e foi a menina do café ao lado que nos disse o que se tinha passado e me pediu para chamar a GNR", declara. A Polícia Judiciária investiga.
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