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Jul 01 2008
Caso da Fruta: Pinto da Costa não vai a julgamento pelo FC Porto-Estrela PDF Imprimir E-mail
Por Correio da Manhã (Sérgio Pereira Cardoso)   
01 de Julho de 2008
 

Pinto da Costa não vai a julgamento pelo processo que ficou conhecido como o ‘caso da fruta’, relativo ao FC Porto-Estrela (2-0), de 2003/04. Mas o Ministério Público discorda e a equipa de Maria José Morgado está já a preparar o recurso, para a Relação, do veredicto do Tribunal da Instrução Criminal do Porto.


O juiz Artur Ribeiro não encontrou nexo de casualidade entre o serviço de prostitutas e a arbitragem de Jacinto Paixão. Ribeiro deixou claro que só por 'conjectura ou imaginação' se poderá concluir que as prostitutas foram providenciadas pelo FC Porto, com o objectivo de influenciar a verdade desportiva.

Artur Ribeiro ilibou também Reinaldo Teles, administrador da SAD portista, AntónioAraújo, empresário, e ainda o árbitro Jacinto Paixão e seus assistentes Manuel Quadrado e José Chilrito.

Na decisão, o juiz ataca o depoimento de Carolina Salgado. Em causa está o facto de a ex--companheira de Pinto da Costa ter garantido que assistiu ao telefonema entre o dirigente e António Araújo, em que se fala sobre 'fruta para dormir' e 'café com leite'.

A chamada teve lugar por volta das 13h00 do dia do jogo, sendo que, segundo o juiz, outros dois telefonemas desmentem Carolina. Às 11h30, a ex-companheira liga ao líder portista e diz-lhe que vai visitar a mãe. Às 15h02, volta a telefonar a Pinto da Costa assegurando-lhe que 'vai à bola', mas que está 'no cabeleireiro'.

Após ouvir os jogadores do FC Porto e o médico da equipa garantirem que Pinto da Costa estava no estágio dos dragões à hora do telefonema, o juiz concluiu que Carolina mentiu e extraiu certidão para o DIAP por 'falso testemunho'. Segundo Artur Ribeiro, mesmo na hipótese de Pinto da Costa ter contratado prostitutas para os árbitros, estes nunca souberam da ligação ao FC Porto e não tiveram, para os peritos, influência no jogo, pelo que a corrupção seria só tentada. Neste caso, frisou, não se tratando de crime de catálogo, as escutas não seriam válidas. 'É a prova de que não é necessário uma equipa especial para apurar factos', disse Gil Moreira dos Santos,advogado de Pinto da Costa. 

PEDRO SANHUDO VIZINHO DE OLIVEIRA

'Pedro Sanhudo e a família viveram mais de dez anos em Gondomar. Eram vizinhos de José Luís Oliveira, daí a relação de familiaridade e não de promiscuidade.' Isabel Monção, advogada do árbitro que está acusado de cinco crimes de corrupção, começou as suas alegações finais defendendo que a proximidade entre Sanhudo e Oliveira resulta do conhecimento de longa data.

Isabel Monção apelidou também de 'desastrosa' a Acusação e alinhou no mesmo tom de todas as alegações ouvidas até ao momento: 'Em termos de produção de prova, este julgamento foi nulo. Demonstração disso foi o facto de o procurador se ter limitado a ler o documento de Acusação.'

Quem também não se coibiu de atacar o MinistérioPúblico foi o árbitro e advogado Carlos Duarte, representante dos também árbitros Licínio Santos e Jorge Saramago. 'O procurador está a cumprir um papel sem acreditar nele', referiu o advogado, que pede ao colectivo de juízes que 'mate esta Acusação, depois de a ter ressuscitado com a alteração da matéria de facto'.

O dia de ontem ficou ainda marcado pelo desmaio de uma funcionária do Tribunal de Gondomar. Fernanda Dinis,que até está ligada ao ‘ApitoDourado’,não aguentou o forte calor que se fazia sentir no interior das instalações judiciais e teve uma quebra de tensão.

Foi visível a revolta dos funcionários do tribunal, indignados com a falta de ar condicionado, sendo que a temperatura chegou a atingir os 30 graus centígrados dentro do edifício. Fernanda foi assistida pelos Bombeiros de Gondomar e transportada, posteriormente, para uma unidade hospitalar.

CREDIBILIDADE DE CAROLINA NA BASE DOS VEREDICTOS

 Foi a peça-chave para a reabertura dos processos relativos ao ‘Apito’ e é também ponto central em todas as decisões. Sempre que Carolina foi considerada credível, Pinto da Costa foi punido, caso do Beira-Mar-FC Porto(0-0), de 2003/04, jogo pelo qual o dirigente já foi pronunciado.

Desta vez, o juiz de instrução acusou Carolina de 'falso testemunho', sendo que anterior jurisprudência já colocou em causa que testemunhas tenham de responder criminalmente pelo que dizem às autoridades ou em tribunal.

NÃO PRONUNCIADOS

REINALDO TELES (DIRIGENTE) - Imaculado mesmo sem pedir instrução

Reinaldo Teles, administrador da FC Porto SAD, foi o único arguido que não requereu instrução, ficando dependente do sentido da decisão que recaísse sobre o trio de arbitragem liderado por Jacinto Paixão. Com a não pronúncia de todos os arguidos, Reinaldo Teles sai também ilibado.

JACINTO PAIXÃO (ÁRBITRO) - Exame dos peritos foi essencial na decisão

A opinião dos peritos de arbitragem, que defenderam que Jacinto Paixão não teve influência no decorrer do jogo, foi essencial na não pronúncia do árbitro e dos seus assistentes ManuelQuadrado e José Chilrito. O juiz não deu como provado que o ‘JP’ que iria usufruir das prostitutas era efectivamente o árbitro alentejano .

ANTÓNIO ARAÚJO (EMPRESÁRIO) - Árbitros não sabiam da ligação aoFCPorto

O juiz Artur Ribeiro defendeu ontem que os árbitros não sabiam da ligação de António Araújo ao FC Porto. Foi Araújo quem pediu a Pinto da Costa 'fruta para dormir' para alguém que definiu como‘JP’, que, segundo a Defesa do líder portista, seria JoaquimPinheiro, irmão de ReinaldoTeles.

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