Violência: quatro disparam contra a Guarda e fogem
Por Correio da Manhã (Sérgio Pereira Cardoso/Tânia Laranjo / Foto: António Rilo)
06 de Novembro de 2007
Passavam
nove minutos das 03h00 quando João Manuel Santos, soldado do Pelotão de
Intervenção Rápida (PIR) da GNR, foi atingido com um tiro de caçadeira
de canos serrados. O militar, de 23 anos, estava com mais três guardas
a tentar evitar que quatro indivíduos assaltassem uma pizzaria.
Os
estilhaços do disparo atingiram João Manuel Santos no lado direito da
cabeça, mais propriamente no queixo, na testa e no olho. Apesar de
consciente, a vítima disse aos colegas que não conseguia movimentar as
pernas e os braços.
Tudo teve início às 03h02 de ontem, quando
quatro encapuzados tentaram assaltar a Telepizza de Fânzeres, Gondomar.
Enquanto dois elementos do gang bloqueavam a porta e procuravam roubar
o dinheiro da caixa da pizzaria os outros ficaram de vigia, um dos
quais ao volante de um Honda Civic preto.
Alertados pelo
barulho, os moradores começaram a vir à janela para verificar o que se
passava. Gesto que incomodou os assaltantes, de tal forma que um deles
disparou contra um prédio vizinho.
Um dos moradores chamou a
GNR, que chegou ao local em seis minutos. Os militares foram recebidos
a tiros de caçadeira. Um deles atingiu João Manuel Santos.
Após
a troca de disparos os ladrões fugiram no Honda Civic em direcção a São
Pedro da Cova. O veículo viria a ser encontrado, já carbonizado, na
freguesia de Avintes, Vila Nova de Gaia. Face ao grau de destruição da
viatura, a Polícia Judiciária ainda não conseguiu perceber se se trata
de um carro furtado.
A vítima foi transportada pelo INEM para o
Hospital de S. João, onde, após intervenção cirúrgica, se encontra com
prognóstico reservado e com grandes danos cerebrais. João Manuel
Santos, residente em São Cosme, Gondomar, está desde 2003 na GNR,
prestou serviço no posto da sua localidade e faz parte do PIR há cerca
de ano e meio.
"RECEBIDOS A TIRO DE CAÇADEIRA"
Presenciou
a quase todo o incidente e deu o alerta à GNR. Ricardo, vizinho do
local do crime, acordou com a tentativa de assalto à Telepizza.
“Parecia
o barulho de obras, quase como se alguém estivesse a derrubar um muro”,
afirma o vigilante de profissão, que chamou, de imediato, as
autoridades.
“Em seis minutos chegou um jipe da GNR ao local. Aí
foram logo recebidos com tiros de caçadeira. Um deles foi atingido mal
saiu do carro”, conta a testemunha. O homem baleado era o soldado
Santos, que acabava de ser atingido com estilhaços de caçadeira em
diferentes zonas do lado direito da cabeça. “Os ladrões que estavam a
vigiar começaram a gritar para os outros saírem da pizaria e arrancaram
no Honda Civic. Um dos militares ainda tentou segui-los, mas com balas
de borracha não ia longe”, afirma a testemunha ocular.
Sobre a
vítima dos disparos, Ricardo conta que esteve “sempre consciente,
embora se queixasse de que não sentia as pernas nem os braços”.
MORTE AINDA POR EXPLICAR
A
morte de Ernesto da Silva, o taxista de Vila Nova de Gaia esfaqueado na
semana passada após uma tentativa de roubo, continua por explicar.
As
autoridades aguardam pelo resultado das perícias que o Laboratório de
Polícia Científica está a fazer à faca e que poderão indicar um
possível suspeito.
Todos os indivíduos já ouvidos e que poderiam ter apanhado o táxi apresentaram álibis convincentes.
Relativamente ao homicídio de um segurança de Matosinhos, a PJ resolveu o crime em menos de 12 horas.
PORMENORES
GOVERNO CIVIL
Ontem
no Governo Civil decorreu uma reunião do gabinete do coordenador de
segurança, envolvendo todas as forças policiais. O objectivo foi
discutir estratégias de combate ao fenómeno da criminalidade numa
vertente genérica, já que os casos de homicídios e assaltos violentos
são crimes da competência exclusiva da PJ.
QUEIXAS SINDICAIS
A
Associação dos Profissionais da Guarda (APG) veio, em comunicado,
lamentar um acto que “podia ter sido evitado”. A APG critica os “meios
obsoletos” ao dispor da GNR e exige que se assuma o “aumento da
criminalidade violenta e a urgência de meios para a combater”.
RECORRÊNCIA
A
Telepizza de Fânzeres foi alvo de uma tentativa de assalto há seis
meses, também sem sucesso. Segundo moradores, na zona são frequentes os
pequenos roubos, principalmente a automóveis.