|
As autoridades não encontraram, até ao momento, indícios que permitam sustentar a hipótese de ter havido crime no despiste de um Ferrari, ocorrido anteontem, na A4, perto da área de serviço de Águas Santas (Maia). Do acidente resultou a morte de Carlos Almeida, um comerciante de automóveis, que colaborou com a Polícia Judiciária (PJ) nos recentes casos de homicídios na noite do Porto. O advogado da vítima, Paulo Magalhães Dias, afirma, ao JN, que se tratou de "um infeliz acidente de viação".
A autópsia foi conclusiva quanto à morte na sequência do acidente e incêndio que carbonizou o cadáver, mas ainda vão ser realizados exames toxicológicos complementares.
A PJ, por seu lado, tem a sua secção de combate ao banditismo a efectuar uma averiguação preventiva, não tendo sido descobertos vestígios de explosivos nos destroços. A investigação prossegue com a colaboração da BT da GNR, que admite a possibilidade de o excesso de velocidade estar na origem do despiste.
O Ferrari 360 Modena de Carlos Almeida, proprietário do stande Finicar, no Porto, despistou-se, cerca das 5.30 horas de anteontem, na A4, um pouco antes da saída para Ermesinde. O carro embateu nos "rails" do lado direito e fez diversos piões, antes de sair da estrada e embater, de traseira, num sobreiro. O veículo incendiou-se e Carlos Almeida, que fazia 30 anos no próximo mês, morreu, tendo o corpo ficado carbonizado. O corpo só foi identificado através da ficha dentária.
"Em muito anos de reboque nunca vi um carro tão destruído. Deu para ver que era um Ferrari pelas jantes, mas não consegui saber o modelo. É normal que tenha ardido. O carro tem o motor e o depósito atrás e basta uma pequena quantidade de óleo ou de combustível cair sobre os colectores de escape para provocar um incêndio", referiu um dos funcionários da Assislongo, empresa que rebocou o carro.
Por outro lado, a carroçaria do o potente automóvel - tem cerca de 400 cavalos e atinge uma velocidade máxima de cerca de 300 quilómetros por hora - utiliza muitos componentes em fibra do carbono, material muito resistente mas que parte, o que explica o elevado número de destroços no local do acidente.
Defensor admite inimigos
Paulo Magalhães Dias, por seu lado, refuta os "cenários absurdos e conjecturas de momento". "É natural que o meu cliente tivesse alguns inimigos, mas o que aconteceu foi um acidente. Era muito raro ele sair com aquele carro", garante.
"Tinha assumido a posição contratual do primeiro comprador e acabou agora de pagar o carro. Mas não pegava nele há sete ou oito meses. De tal forma que teve de ser empurrado para o pôr em funcionamento. E o meu cliente terá dito aos amigos [com quem estaria num bar] que ia 'puxar' por ele até casa, em Fânzeres, Gondomar, para carregar a bateria", conta.
Para o advogado, o comerciante "pouco andava com o carro, por achar que era demasiado vistoso. Se tinha três mil quilómetros era muito".
Segundo Paulo Magalhães Dias, o comerciante era "muito conhecido da gente da noite" e, talvez por isso, referiu, "a PJ tenha tentado obter informações sobre os recentes acontecimento no Porto. Colaborou com as autoridades devido à área em que trabalhava, mas é excessivo dizer-se que era informador".
A cerimónia fúnebre de Carlos Almeida decorre hoje, pelas 15 horas, na Igreja do Bonfim.
Users' Comments (0)
|
|
|