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Desde o apito inicial, impulsionada por um pouco numeroso mais muito
ruidoso público, a turma da Foz do Sousa foi mais empreendedora,
esclarecida e perigosa, principalmente na primeira parte em que foi
dona e senhora do desafio. Por seu turno, o Bougadense raramente
assumiu o encontro ou sequer conseguiu construir um lance de futebol
jogado, caindo sistematicamente no alívio fácil de pontapé para a
frente e futebol directo.
Após um quarto de hora sem grande motivos de interesse, surgiu a
primeira oportunidade clara de golo, para o Sousense, com Ricardo, em
boa posição, a desperdiçar atirando muito por cima da baliza de Maciel.
Três minutos depois, seria a vez de Tó, num canto, a enviar a bola ao
«ferro» da baliza da formação de Bougado, tendo Maciel, cinco minutos
volvidos, negado o golo a Tata, depois de uma boa iniciativa individual
deste.
O Sousense justificava o golo mas este apenas surgiu sobre o intervalo
quando, após um canto, a bola sobra para Vítor Coutinho e o «capitão»
deu o exemplo inaugurando o marcador com um remate cruzado. A primeira
parte terminou logo a seguir e a vantagem mínima era lisonjeira para o
Bougadense.
Ciente disso, o treinador dos forasteiros recorreu ao «banco» para
tentar inverter a situação. Com Alexis lesionado na virilha (também
Vitinha já havia saído devido a entorse), José Maria colocou Ramalho, a
peça mais influente dos trofenses (que tem estado afastado por lesão),
«cartada» que viria a revelar-se decisiva. Fora de horas é certo, mas a
opção traria frutos.
Da etapa complementar pouco há para escrever. Os primeiros minutos
foram de muita luta e pouca uva, que culminariam em entradas a
destempo, quezílias e animosidades, «alimentadas» por um público irado
por antecipação devido às agressões, entre directores, ocorridas no
encontro da primeira volta. Durante um largo período, ouviu-se mais o
apito que os sons resultados do esforço dos jogadores, o cartão amarelo
«roubou» o protagonismo da bola.
Os nervos só acalmaram, após a expulsão de Armando (minuto 70), por
agressão, à cabeçada, ao «central» Tó (também advertido, mas com o
«amarelo»), depois de ambos se travarem de razões.
Mesmo a jogar com dez, a iniciativa do jogo pertencia ao Bougadense,
que já colocava o esférico no chão para «atacar» a baliza adversária.
Ainda assim, as maiores oportunidades pertenceram ao Sousense, mas um
falhanço incrível de Litos, primeiro, e duas enormes defesas de Maciel,
depois, negaram uma maior justiça ao placar do encontro.
Quando já ninguém esperava, perto do apito final, a formação forasteira
conseguira mesmo o empate. No tudo por tudo, Ramalho fez jus à fama de
«mágico» da sua equipa e «inventou» o lance em que ofereceu o golo, de
cabeça, a Matos, embora Pedro ainda tocasse no esférico. Depois de
algumas grandes chuvadas, seria este o maior banho de água fria para a
equipa da casa. O empate caíra do céu e a vitória, literalmente, por
terra.
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NELO VIEIRA
JÁ SE SABE QUE NO FUTEBOL NÃO HÁ JUSTIÇA
Desalentado com o resultado, o técnico do Sousense ressalvou a exibição
da sua equipa. ”Dominámos totalmente na primeira parte, criámos
inúmeras oportunidades e a vantagem mínima ao intervalo era injusta
para o que fizemos. Na segunda parte optámos por dar a iniciativa do
jogo ao adversário mas continuamos a ter o jogo controlado e foram
nossas as ocasiões mais flagrantes de jogo. Para cúmulo, acabámos por
ter a infelicidade de sofrer um golo sem que nada o justificasse, num
lance fortuito. Os meus jogadores estão de parabéns, tiveram uma bela
atitude. Estamos a trabalhar bem, tem faltado alguma sorte, mas a
manutenção vai ser alcançada de certeza”, disse Nelo Vieira.
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JOSÉ MARIA
TIVEMOS SORTE POIS NÃO MERECÍAMOS O EMPATE
Melhor o resultado do que a exibição. É esta a principal ideia
defendida por José Maria, técnico do Bougadense. “Tivemos um dia mau.
Não jogámos bem, não merecíamos o empate. O Sousense esteve melhor,
principalmente na primeira parte, podia ter «matado» o jogo mas não o
fez. Ainda assim, foi um prémio para o esforço dos meus jogadores e
para a audácia que revelámos quando já jogávamos com apenas 10 atletas.
Foi definitivamente um ponto ganho, tivemos a sorte que nos abandonara
no último jogo com o Coimbrões”.
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FICHA
Sousense
Pedro; Vítor Coutinho, Tó I, Djalma e Machado; Tiago (Filipe, aos 78
minutos), Nelson, Tata e Litos; Zé Augusto (Toni, 65) e Ricardo I
(Jorginho, 48).
Bougadense
Maciel; Matos, Virgílio, Henrique e Roberto; Alexis (Ramalho, 46),
Vitinha (Ricardo II, 35) e Miguelito; Bezerra, Armando e Tó II (Miguel,
83).
Árbitro: Eduardo Cardoso, auxiliado por Renato Barqueira (bancada),
Bruno Ferreira (peão) e Filipe Reis (4.º árbitro). Jogo disputado no
Campo de Jogos 1.º de Dezembro, na Foz do Sousa, perante cerca de 200
espectadores. Ao intervalo: 1-0. Mar-cadores: Vítor Coutinho (41) e
Matos (90). Cartões amarelos: Zé Augusto (15), Vítor Coutinho (46),
Armando (57), Ramalho (58), Miguelito (59), Tata (60), Tó I (70) e
Nelson (89). Cartão vermelho (directo): Armando (70).
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