Agente da PSP passa duas noites detido por agressão a um GNR
Por Jornal de Notícias (Nuno Miguel Maia)
23 de Outubro de 2006
Um agente da PSP do Porto vai ser hoje ser interrogado em tribunal devido a uma alegada agressão na noite de anteontem a um cabo da GNR. O polícia, que presta serviço na esquadra da PSP da rua do Campo Lindo, no Porto, passou as duas últimas noites detido nas celas do posto da GNR de Gondomar.
Os acontecimentos que levaram à detenção do agente da PSP é que estão pouco esclarecidos. Sabe-se, porém, que verificaram-se sábado à noite no Bairro de Santo Amaro, na freguesia de Foz do Sousa, em Gondomar. Um indivíduo estava a provocar distúrbios e a danificar das portas de um dos blocos de apartamentos, o que levou os moradores a chamarem a GNR. Residente no bairro, o elemento da PSP estava fora de serviço e ter-se-á dirigido aos militares identificando a sua profissão e pedindo auxílio para levar ao hospital o pai, que estaria a sentir-se mal do coração.
De acordo com informações recolhidas pelo JN, esta conversa terá sido bastante azeda, com troca de insultos e agressões. A zaragata continuou no posto da GNR e aí ocorreram mais agressões, o que levou à detenção do agente da PSP.
Segundo fonte conhecedora do caso, o agente da Polícia de Segurança Pública queixou-se de mazelas físicas, em consequências de agressões, e pediu para ir ao hospital. Os militares da GNR terão recusado o pedido e, por outro lado, assistido por médicos foi o cabo, que se queixou igualmente de ter sido agredido. Ao Hospital de Valongo acabou por ir também, mais tarde, o pai do agente detido.
Força "necessária"
A GNR de Gondomar não quis dar justificações oficiais sobre a polémica detenção, remetendo comentários para a sede em Lisboa. No comando geral, a ocorrência era desconhecida. Foi um responsável do comando do Porto quem acabou por explicar que a GNR teve de actuar porque o agente da PSP não acatou as ordens dos militares presentes no bairro dos desacatos. Diz a guarda que "usou a força estritamente necessária para repor a ordem no local e deter o agente".
Posteriormente à detenção, o oficial de dia da PSP do Porto foi alertado pela GNR sobre o incidente. À polícia foram oficialmente explicadas as razões para a detenção, tida como efectuada em flagrante delito, por agressão.
Hoje, dia em que deveria regressar ao trabalho, o agente vai ser presente ao Tribunal de Gondomar. Será o Ministério Público a decidir o que fazer do caso. Pode inclusive optar pela apresentação imediata a juiz para julgamento em processo sumário ou decidir por levar a situação para inquérito, com eventual imposição de medidas de coacção.
Ninguém acima da lei
O comando da PSP do Porto foi informado, via fax, sobre os problemas ocorridos com um dos seus agentes. Ontem, ao JN, fonte da PSP disse que a justificação avançada pela GNR para a detenção foi a circunstância de as agressões e injúrias terem acontecido no "interior do posto" de Gondomar, por factos que nada têm a ver com serviço. "Ninguém está acima da lei", comentou a mesma fonte, admitindo a detenção como "normal". A PSP foi informada da apresentação do seu elemento, hoje, no Tribunal de Gondomar.