anaoJ82 escreveu:QUOTE:
O direito à vida é inalienável.
Não duvido; mas o que se passa é a vontade de uns (poucos) a sobrepor-se à vontade de outras (muitas).
Infelizmente, não é assim tão simples. O que eu acho é que os "Cruzados" da senda anti-aborto ainda não perceberam uma coisa.
Ninguém pretende nem defende a vulgarização da prática do aborto. Não se pode é fechar os olhos para o que sempre aconteceu e continua a acontecer; a prática do aborto existe! Seja ela legal ou não. E no presente momento, a única variável é se isso é feito cá, nos nossos "vãos de escada", ou do outro lado da fronteira, caso o bolso o permita. E as coisas vão continuar assim, digam o que disserem.
Gosto muito de ouvir esses moralistas a falar, impregnados de autoridade divina. O que é certo é que uma mulher não engravida sozinha nem toma a decisão de abortar de ânimo leve, mas estará sozinha no momento da condenação, ou deverei dizer?, humilhação pública. Se alguém julga que é uma decisão fácil de tomar, a sua noção da realidade está bastante distorcida. Será uma sombra para o resto da vida e a ser tomada tal decisão, é por motivos de força bem mais que maior!
Toda a gente (ou esses "Cruzados" pelo menos) questiona a autoridade do individuo para "ceifar" uma vida. Ninguém tem o direito de o fazer, segundo eles. É um ponto de vista válido.
Agora pergunto:
E que autoridade temos nós para gerar uma vida? Já pensaram nisto? Já olharam bem à vossa volta? Num mundo cada vez mais podre que cresce a olhos vistos, com o humilde (ou não) contributo de cada um de nós, não estaremos a condenar desde o início cada criança que venha a nascer a uma existência da qual nós próprios nos começamos a lamentar todos os dias?
É cada vez mais difícil sairmos debaixo da asa dos nossos pais pela dificuldade em encontrar um emprego estável; mal podemos sair à rua de tão sujeitos que estamos à enorme probabilidade de alguém nos apontar uma arma à cara; todos os dias cresce o desiquilíbrio social; e tudo o que é bom e rico neste planeta perece pela nossa mão.
Dar continuidade à nossa espécie é com certeza o motor mais básico que nos move. Mas elevados que estamos acima da fase animal, há outros valores a ter em conta.
Obviamente que atirar pedras a quem aborta por falta de soluções é tremendamente mais fácil!