Como é da praxe, todas as sextas-feiras, Álvaro e Filipe, ambos ourives, juntaram-se ao final da tarde para beber uma cerveja. Às 19h30, quando cumpriam a tradição no café Hedy, em Jovim, Gondomar, foram surpreendidos por quatro encapuzados, armados com pistolas, que, depois de dispararem dois tiros e ferirem um dos ourives, lhe levaram a chave do Skoda onde guardava dezenas de peças em ouro.
Álvaro Fernandes, de 43 anos, residente na Póvoa de Lanhoso, foi transportado para o Hospital de S. João, no Porto, com uma bala alojada no pé e a cabeça ensanguentada devido a uma pancada aplicada pelos ladrões com a coronha da pistola. Entretanto, ainda durante a noite, a vítima foi transferida para o Hospital de Braga, onde amanhã será alvo de uma intervenção cirúrgica.
Os amigos estavam há meia hora no café e até já tinham pago a conta, mas ficaram um pouco mais na conversa. Para além deles, no Hedy apenas estava o proprietário.
“De repente, entraram uns tipos armados e pediram a chave do carro. Numa primeira fase, o Álvaro reagiu e não queria ceder à vontade deles. Foi aí que dispararam o primeiro tiro contra o pé dele”, disse ao CM a testemunha ocular Filipe Bandeira.
Os assaltantes ainda dispararam outro tiro, mas este não feriu ninguém. Todavia, já com Álvaro no chão, ainda lhe deram uma coronhada na cabeça. Aí a vitima não resistiu mais e acabou por entregar a chave do carro. Segundo o CM apurou, o material em ouro que estava no seu interior era superior a 100 mil euros.
Quem não tem dúvidas de que os ladrões vinham com a lição estudada é o dono do Hedy. “Dirigiram-se logo à mesa em que eles estavam para pedir a chave do carro. Enquanto os assaltavam, tive sempre uma pistola apontada à cabeça”, disse ao CM José Figueirinha, garantindo que a ele a quadrilha nada levou.
Ainda mal refeito do que lhe aconteceu, Filipe afirma que não ganhou para o susto porque foi terrível “ter uma arma apontada”. A PJ está a investigar o caso.
ASSALTOS SÃO UMA ROTINA
Os assaltos são uma das maiores preocupações dos ourives em Gondomar. São frequentes os roubos em ourivesarias, mas também já não são poucos os casos em que os empresários são seguidos até casa para depois lhes assaltarem as viaturas nas quais transportam material em ouro. “Não há segurança nenhuma para nós. Somos assaltados nas lojas, à saída delas, nos carros, em todo o lado. Isto já é uma rotina”, afirmou Filipe Bandeira, que ao mesmo tempo se queixa da inoperância das autoridades. “Tantos assaltos e nunca apanham ninguém, acho que é muito estranho”, disse.
PORMENORES
CAFÉ
Ontem, no café Hedy não se falava noutra coisa. O tema que dominava as conversas era o assalto do dia anterior. O proprietário, uma pessoa muito estimada na zona, era o alvo de todas as preocupações. Os vizinhos recearam que fosse ele a vítima.
AMIGOS
Amigos há muitos anos, Filipe e Álvaro encontram-se todas as semanas em Gondomar. Álvaro é grossista e os seus negócios centram-se na região do Minho. Já Filipe, é dono de uma pequena ourivesaria.
AUTORIDADES
No local do incidente estiveram um carro-patrulha da GNR de Gondomar, Bombeiros Voluntários e o INEM.
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