A junta de freguesia da Lomba, Gondomar, vai instituir em 2008 incentivos à natalidade e ajudará os pais a pagar a creche dos filhos, na tentativa de travar a desertificação desta localidade a 15 quilómetros do Porto.
O presidente da Junta, Joaquim Viana, disse hoje à agência Lusa que o incentivo à natalidade vai ser de 100 euros (primeiro filho dos casais residentes na Lomba), 150 (segundo) e 200 (terceiro).
Os pais beneficiarão ainda de um apoio mensal, a título de comparticipação para o pagamento da creche, entre cinco e 30 por cento rendimento per capita.
Para informar a população destas medidas, a junta de freguesia vai promover em Maio um conjunto de reuniões descentralizadas em todos os lugares da Lomba.
Várias autarquias do Interior já tinham lançado incentivos à fixação da população mas não havia, até agora, notícia da adopção de medidas similares na corda litoral do país.
A Lomba é a única das 12 freguesias de Gondomar na margem sul do rio Douro, sendo a terceira maior do concelho em área e a penúltima em número de habitantes.
Naquela freguesia restam dois mil habitantes, dos quais mais de 60 por cento já ultrapassaram os 65 anos de idade, havendo apenas 135 crianças em idade escolar, que se repartem por dois jardins de infância e três escolas do primeiro ciclo, uma das quais em risco de fechar por insuficiência de alunos.
«A situação agrava-se radicalmente de ano para ano, com a saída continuada de jovens casais para as freguesias periféricas», assegurou o presidente da Junta.
«A continuar assim, a Lomba arrisca-se a transformar-se num grande lar de idosos», teme Joaquim Viana.
Paradoxalmente, não há casas vazias, já que todas as que vagam com a «debandada» dos jovens casais «são imediatamente compradas» para habitação de fim-de-semana de pessoas habitualmente moradoras noutras localidades.
Joaquim Viana disse que a maioria dos jovens casais que abandona a Lomba acaba por fixar-se em freguesias com «piores infra-estruturas básicas e menor qualidade de vida na Lomba» e explicou que a opção se prende com as dificuldades impostas pelo Plano Director Municipal (PDM) à construção na freguesia.
«Digo, por isso, que os incentivos à natalidade não são suficientes para travar a desertificação. É preciso que na revisão do PDM se consagrem mais áreas para construção na Lomba», afirmou o presidente da Junta.
«Não precisamos sequer que nos dêem habitação social. A tradição na Lomba é a de cada um construir a sua própria casa, segundo os seus gostos. Quase todos os casais herdaram terrenos que gostariam de aproveitar para construírem casa. A questão é mesmo que o PDM deixe», acrescentou.
A falta de terrenos com capacidade construtiva é, para Joaquim Viana, o «grande garrote no pescoço dos jovens casais».
Este será um espaço por excelência inteiramente dedicado à discussão e reflexão sobre a literatura portuguesa contemporânea, nomeadamente, sobre os percursos da nova literatura portuguesa.
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