O presidente da junta de freguesia da Lomba, em Gondomar, disse ontem que não se vai demitir. “A câmara tem um parecer jurídico nas mãos”, afirmou Joaquim Viana, referindo-se ao que chamou de “loucura”, disse, “da governadora civil do Porto”.
Joaquim Viana garante que se vai manter em funções. O presidente da junta de freguesia da Lomba tem preparada uma providência cautelar para impedir a demolição dos equipamentos de apoio à praia fluvial no Douro. O PSD considera que se trata de “um grave atentado ao desenvolvimento da freguesia da Lomba, ao meio ambiente e à saúde pública”. A desactivação dos equipamentos “tornará este espaço de lazer numa autêntica e preocupante lixeira”. Os deputados do PSD avançaram com um requerimento endereçado ao Presidente da Assembleia da República. A junta defende que as estruturas que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) pretende demolir, são amovíveis e não fixas. “Tanto quanto sabemos, em situações idênticas nas duas margens do Rio Douro, a CCDRN nada está a fazer para as mandar demolir”.
Durante a conferência de imprensa realizada ontem, no bar da praia da Lomba (que já deveria ter sido selado), Joaquim Viana teceu fortes críticas à governadora civil do Porto, Isabel Oneto. “O Governo Civil zangou-se por eu ter trazido aqui a comunicação social anteriormente, e amuou”, disse o presidente. “Eu fui eleito e ela foi nomeada”, frisou Joaquim Viana, reafirmando que há uma “cabala contra a Lomba. Trata-se de má-fé. Este espaço é o que tem melhores condições a montante de Crestuma-Lever”. O presidente afirmou-se revoltado, mas não se demite: “Temos contas a dar a quem nos elegeu”. Perseguição Agostinho Branquinho, líder da distrital do PSD/Porto, tem acompanhado a situação e lembrou “os mais de 250 mil contos em moeda antiga que aqui foram gastos. Não é legítimo que alguém acorde maldisposto e deite abaixo estas instalações. 15 mil pessoas passam aqui, todos os anos”, sublinhou Agostinho Branquinho. “Vamos prejudicar milhares de pessoas ao fechar uma praia fluvial. Se houvesse um problema de saúde pública, a situação seria analisada”. No entanto, “nos últimos anos, só por duas vezes é que as águas estiveram impróprias”, sustenta.
Nunca vi destruírem equipamentos apenas porque a água não podia ser utilizada”, critica Agostinho Branquinho. “Só pode ser o acto de alguém desfasado da realidade. Só alguém que não goste da Lomba, ou tenha tiques de perseguição política, pode tomar uma decisão destas”. O PSD defende a “continuação desta luta no campo político, autárquico, popular e jurídico, até que seja reposta a razão e se trave definitivamente este atentado”. O líder da distrital, Agostinho Branquinho, classificou a decisão de “estapafúrdia” e revelou que “as 12 últimas análises feitas à água não revelaram qualquer tipo de problema”. Dúbios No seguimento de uma orientação do Governo Civil do Porto, a CCDR - N notificou a junta de freguesia da Lomba e a câmara de Gondomar no sentido de serem selados e destruídos todos os equipamentos de apoio na Praia da Lomba. Estas infra-estruturas, localizadas na margem Sul do Douro, são compostas por um bar, balneários públicos, um grelhador colectivo, uma zona de merendas e um parque de estacionamento.
De acordo com um comunicado do PSD/Porto, “a área abrange cerca de 30 mil metros quadrados e é frequentada anualmente por mais de 15 pessoas, sendo uma das zonas de prática balnear mais procuradas na região”.
Os argumentos apresentados pelo Governo Civil do Porto e pelo CCDR baseiam-se na falta de qualidade das águas e na ausência de licenciamento dos equipamentos em questão. No entender da distrital do Porto do PSD, “esta decisão, além de baseada em pressupostos dúbios, é exagerada, prepotente e discriminatória, uma vez que opta pela destruição de uma área de lazer ao invés da sua reconversão”. O PSD critica também o facto de “não haver igualdade de critérios relativamente a muitas outras zonas em condições semelhantes nas margens do Douro, uma vez que nesta região não existem praias qualificadas”.
Estão agendadas novas acções de protesto, nos dias 23, 27 de Junho e 1 de Julho. Esta última será um piquenique na zona envolvente à Praia da Lomba, com animação e “muitas surpresas”.
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