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A detenção de um dos presumíveis autores do crime que tirou a vida a Mário dos Santos, de 19 anos, na noite de domingo para segunda-feira, não é suficiente para os familiares da vítima, que residia na freguesia de São Cosme, em Gondomar. O jovem de 18 anos detido pela PJ foi presente a tribunal e aguarda o desenrolar do processo em prisão preventiva.
Para Delfim e Amélia Monteiro, tios da
vítima do homicídio, que ocorreu no Centro Comercial STOP, a Justiça
tem de actuar com dureza. “O que aconteceu não tem qualquer explicação.
Nem a um animal se faz o que eles fizeram, quanto mais a um ser humano.
Quem cometeu este acto tem de pagar por isso. E bem. Uma detenção no
meio de um grupo que, segundo se consta, é constituído por mais quatro
ou cinco elementos, é pouco”, indigna-se Delfim Monteiro, apesar de se
afirmar crente na acção da Justiça. Até porque, de acordo com o tio de
Mário, “não falta quem a queira aplicar pelas próprias mãos, embora
isso só fosse piorar as coisas”.
Já para Amélia Monteiro, esta é
uma “história que está muito mal contada”, pois não percebe “como é que
o Mário chega ao bar com dois amigos e, em tão pouco tempo, aparece
esfaqueado junto à porta do estabelecimento”. Suspeita de
acontecimentos precedentes que deram lugar ao crime: “Sabemos que
tinham roubado um carro a um amigo do Mário e, pelos vistos, foi
exactamente com esse colega que a confusão teve início. O meu sobrinho
já andava estranho nos últimos dias, rejeitava dinheiro dos pais,
aparecia tarde em casa... Mas nestes momentos passa-nos tudo pela
cabeça e imaginamos vários cenários que é possível que estejam errados.”
O
casal de tios, que reside mesmo no andar localizado por cima da casa
onde morava Mário, revelou ainda a sua incredulidade com a lentidão da
equipa de emergência médica em chegar ao local onde estava o jovem de
19 anos. “Disseram-nos que o INEM demorou cerca de 20 minutos a chegar
ao Centro Comercial STOP, o que nos é difícil de aceitar. Se alguém se
encontra numa situação grave, não pode esperar tanto tempo por ajuda
médica”.
Ainda segundo estes familiares, Mário sucumbiu após ter
sido “esfaqueado por duas vezes nas costas e no peito” e agredido com
vários golpes violentos na face, o que o deixou bastante desfigurado.
Este facto esteve na origem da decisão da família em impedir a presença
do irmão, de 11 anos, no funeral, apesar da vontade demonstrada pelo
menor em prestar uma última homenagem a Mário.
SAIU DE CASA APENAS COM UM EURO
Um
euro. Foi com esta módica quantia que Mário dos Santos saiu de casa, o
que, para os seus tios, comprova que não estava à espera de sair à
noite, principalmente na véspera de uma segunda-feira, dia de trabalho.
Segundo Delfim Monteiro, o jovem estava junto à casa “à 01h40 e o
homicídio teve lugar uma hora depois”, daí deduzir que “quando saíram
de Gondomar o Mário e os dois amigos já deviam saber para onde se
dirigiam”.
Avança ainda a possibilidade de alguém dentro do
Kizomba, bar onde começou a rixa, ter telefonado ao grupo de jovens
gondomarenses. Os tios da vítima descrevem-na como uma pessoa de
espírito nobre, mas não escondem que Mário dos Santos gostava de sair à
noite e que, por várias vezes, se envolveu em cenas de pancadaria, daí
que o tio não se tenha cansado de o avisar: “Dizia-lhe que qualquer dia
ainda ia aparecer morto numa valeta. Infelizmente acabei por ter razão.”
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