Pais lançaram campanha para tratar filho de seis anos em Cuba
Por Jornal de Notícias (Carla Cruz/Foto: Adelino Meireles)
31 de Dezembro de 2007
Pedro Jacob nasceu saudável. Porém, com apenas 20 dias de vida, uma meningite levou-o de volta ao hospital. "Era das fulminantes", relembra a mãe, Cristina. "O Pedro chegou mesmo a ter uma paragem cardiorespiratória, mas conseguiram reanimá-lo", afirma. A criança acabou por resistir à meningite, mas ficou com algumas sequelas tem paralisia cerebral, foi afectado ao nível da fala, ao nível motor e ainda na visão.
Os pais dizem já ter perdido a conta ao número de vezes que entraram e saíram de hospitais com o filho, entre consultas, internamentos e operações. De resto, os números são impressionantes o filho, de apenas seis anos, já foi operado 33 vezes ao cérebro devido à hidrocefalia que possui.
No dia 1 de Dezembro, Cristina e Sérgio Pereira, de São Cosme, Gondomar, iniciaram uma campanha de recolha de fundos para possibilitar o tratamento do filho em Cuba. Todos os dias, Pedro é sujeito a todo o tipo de estímulos através da fisioterapia e da hipoterapia. Frequenta, ainda, a piscina.
"Desde cedo que os médicos nos disseram que o nosso filho ficaria um 'vegetal'", lembra a mãe. Mas não se conformaram e decidiram investir na recuperação do pequeno Pedro.
"A força que ele tem..."
"O seu sorriso e as reacções que vamos sentindo quando falamos com ele, a força que ele tem, tudo isso nos faz acreditar na sua recuperação", sintetiza Cristina.
No Hospital de Coimbra, continuam os tratamentos de estímulo à visão. De momento, a criança possui apenas um décimo da capacidade. "A lesão que afecta o nervo do olho é irreversível, mas mesmo assim decidimos continuar com as terapias", diz a mãe.
Na vida do casal, tudo se alterou. Viviam num apartamento mas, dadas as dificuldades motoras de Pedro, foram aconselhados a mudarem de casa, para uma que pudesse responder às necessidades do filho no presente e no futuro. O pai, trabalhador na construção civil, resolveu pôr mãos à obra e remodelar ele mesmo uma antiga casa em São Cosme, criando as rampas de acesso para a cadeira de rodas utilizada pelo filho.
Em relação à educação, o casal sente que o filho não se encontra devidamente acompanhado. Depois de muita procura, conseguiram que Pedro fosse aceite num infantário em Gondomar. Porém, afirmam que "só tem direito a duas horas semanais com a professora de ensino especial, de resto está o tempo todo com pessoas sem habilitações."
Sérgio e Cristina que Cuba é sinónimo de recuperação, sobretudo tendo em conta a intensidade no tratamento. "Fazem num dia o que faço aqui com o Pedro numa semana", diz Cristina. "Foi uma fase muito difícil da nossa vida. E ainda é".