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Viana, Zé Augusto e Assis defenderam as cores do S. Pedro da Cova na pretérita época, mas em diferentes alturas da temporada foram dispensados por alegadas razões extra-futebol. Na hora da despedida, os três atletas sentiram a necessidade de alertar os sócios «mineiros» para os problemas que afectaram o clube de forma a salvar o emblema gondomarense de cair no abismo.
O «central» Viana foi o porta-voz do grupo e nunca jogou à defesa, mas,
sempre que algum pormenor não era referenciado, os avançados Viana e Zé
Augusto jogavam ao ataque. Na mira dos jogadores está, principalmente,
o presidente Joaquim Reis. “Ele vai acabar com o clube”, afirma Zé
Augusto, enquanto os companheiros acenavam com a cabeça, a concordar
com a opinião.
Na base da afirmação está, principalmente, a atitude do líder «mineiro»
em querer fazer mais do que as possibilidades do clube possibilitam.
“Neste momento, muitos colegas continuam ainda com ordenados em atraso,
porque ainda confiam na palavra do presidente. No entanto, apesar de
não pagar, o clube já colocou um relvado novo, quando o anterior estava
em bom estado e ainda se dá ao luxo de contratar jogadores no
estrangeiro”, afirma Assis, continuando com ironia: “Não devem ter
assim tantas dificuldades para pagar”.
O sarcasmo de Assis, com a cumplicidade de Viana e Zé Augusto,
permanece enquanto o assunto da contratação dos dois jogadores
brasileiros, Paulo Jorge e Paulo Roberto (ambos ex-Condor, do Rio de
Janeiro), não termina. “Um clube da Terceira Divisão que não consegue
pagar os ordenados ainda se dá ao luxo de contratar dois brasileiros.
Na realidade que está o actual futebol português, de certeza que não
deve ter dificuldades”, explica o defesa, ouvindo Zé Augusto concluir
que “o presidente está a tapar os olhos com a compra destes
brasileiros”.
Outra medida de Joaquim Reis igualmente reprovada é a mudança dos
bancos de suplentes da frente da bancada para o outro lado do terreno.
“O presidente não é frontal com os sócios, porque mudou os bancos para
o lado oposto da bancada a fim de não se ouvir as críticas”, sustenta
Assis.
O actual técnico Pedro Gonçalves também é criticado pelos três
jogadores por, alegadamente, ser o presidente a fazer a convocatória.
“O tal senhor que se diz treinador é um boneco, pois é o presidente a
decidir a equipa”, afirma Viana, acrescentando: “É por causa destes
«paus mandados» que os verdadeiros treinadores estão desempregados”.
Assis completa dizendo que “os verdadeiros treinadores não se deixam
influenciar pelos dirigentes” e relembra um jogo treino com os
juniores, ainda orientados por Pedro Gonçalves, em que “o dito
treinador não conseguia controlar os miúdos e depois queria controlar
homens”.
Zé Augusto aproveita para recordar o ex-técnico: “Apesar das
dificuldades, com o Fernando Barbosa nós conseguíamos subir de Divisão”.
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VIANA
PIOR ERRO DA CARREIRA
Viana foi o primeiro dos três a ser dispensado do S. Pedro da Cova.
Antes de sair de vez, chegou a assinar pelo Alpendorada em Dezembro,
mas uma chamada de Francisco Barbosa (até então técnico) e a promessa
de Joaquim Reis que os ordenados iriam ser pagos demoveram o avançado a
regressar. Segundo Viana, dispensado em Março, o abandono prende-se com
um atraso de cerca de 30 minutos à hora da concentração. “Cheguei mais
tarde meia hora a um treino e eles aproveitaram para me mandar embora.
Isso foi em Março e já não recebia desde Dezembro. Havia alturas que
nem consegui dormir, porque tinha a minha esposa desempregada e um
filho de três anos para criar. O que me valeu foi a ajuda dos meus pais
e sogros”, afirma o atleta, lembrando que Joaquim Reis “foi a
Alpendorada buscar a carta de desvinculação num domingo de manhã para
poder jogar pelo S. Pedro à tarde, frente ao Pedras Rubras”. O avançado
declara estar “arrependido” de ter regressado ao clube gondomarense, o
que considera “o pior erro da carreira”. Para ver a cor do dinheiro em
falta, Viana foi obrigado a recorrer à justiça, tendo visto o processo
deferido, pelo que o S. Pedro da Cova está coagido a regularizar os
vencimentos em atraso nos próximos dez meses.
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ASSIS
ASSINEI PELO S.PEDRO DA COVA E NÃO PELA CÂMARA
A história de Assis tem contornos diferentes, já que foi o único que
ainda não viu um cêntimo dos três meses e meio de vencimentos. “Tinha
um cheque no valor dos ordenados em atraso para depositar até dia 10
deste mês, mas bateu no tecto”, explica Assis, acrescentando que
“durante a época ele alegava que só podia pagar quando a Câmara de
Gondomar atribuísse o subsídio, por isso, não tive outra solução senão
entregar o caso a uma advogada, já que assinei pelo S. Pedro da Cova e
não pela Câmara”. Antes de ser dispensado, Joaquim Reis ainda “tentou
pagar por letras”, o que não foi aceite, «nega» essa que o terá
afastado das “convocatórias durante dois meses”.
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ZÉ AUGUSTO
DISPENSADO APÓS MELHORAR CONTRATO
Zé Augusto era o único com intenções de ficar no clube e chegou a
prolongar o contrato com um melhoramento no salário, por ter sido o
melhor marcador da equipa, mas também acabou dispensado. “O presidente
ligou-me para não depositar o cheque, mas eu já o tinha entregue ao meu
irmão para ele o depositar. Passados uns dias, o dito treinador [Pedro
Gonçalves] ligou-me para fazer os exames médicos e, no outro dia, o
presidente liga-me a comunicar a dispensa, alegando que o clube ia ter
dificuldades nos pagamentos”.
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