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A dependência do BPA é hoje Millenium-BCP, banco que já indemnizou os lesados
Uma gestora bancária de Gondomar e um empresário seu amigo íntimo foram acusados pelo Ministério Público (MP) de ter burlado o Banco Português do Atlântico (hoje Millennium-BCP) e perto de 100 clientes. O desfalque chegou aos 10 milhões de euros. Enganados no esquema foram vários industriais, emigrantes e reformados, que conheciam e confiavam na funcionária do banco por aquela estar ligada à igreja de Valbom, em que até era catequista.
Estes dois arguidos, a que se junta um terceiro, sócio do empresário,
vão responder por um crime de burla qualificada, um crime de abuso de
confiança e um crime de conversão, transferência e dissimulação de bens
e produtos. Tudo ilícitos praticados sob a forma continuada. A
bancária-catequista e o empresário foram detidos em 2003 pela Polícia
Judiciária do Porto e chegaram a estar, respectivamente, em prisão
domiciliária e prisão preventiva.
O estratagema que deu origem ao escândalo tem contornos curiosos. A
ex-funcionária do banco, hoje com 53 anos, terá usado a confiança que
as pessoas nela depositavam para captar clientes e respectivas
poupanças - em alguns casos de toda uma vida.
Já nas instalações do banco, convencia-os a investir em aplicações a
prazo, sem risco, que dariam rendimentos acima da média do mercado. Uma
promessa, quase ao jeito de Dona Branca, que atraiu mais investidores,
inclusive de outras agências e bancos concorrentes. Como comprovativo
dos depósitos, entregava às pessoas talões com o carimbo do, na altura,
Banco Atlântico.
Só que, ao contrário do que pensavam os clientes, o dinheiro - e verbas
provenientes de cheques - não era aplicado em quaisquer produtos do
banco, tendo como destino contas em nome de um empresário, hoje com 44
anos, de quem a catequista seria amiga íntima. Este era dono de uma
firma de comércio e representação de produtos farmacêuticos, sedeada na
zona industrial de Gondomar.
Além de, presumivelmente, ter servido para o desenvolvimento do
negócio, o dinheiro obtido com o esquema também terá estado na base de
várias aquisições de bens, e mesmo doações beneméritas para com
instituições, que constituíram sinais exteriores de riqueza difíceis de
justificar unicamente pelos rendimentos do trabalho dos visados.
A fraude só seria descoberta quando os prazos dos depósitos começaram a
expirar. Os clientes dirigiram-se ao banco e ficaram a perceber que,
afinal, não havia dinheiro. As queixas avolumaram-se e o escândalo
rebentou. Os dois principais envolvidos foram detidos pela PJ em
Fevereiro de 2003. Foram soltos entretanto, por ter expirado o prazo
máximo da medida de coacção.
Os três acusados pelo Ministério Público de Gondomar podem agora
requerer abertura de instrução, para tentar evitar a ida imediata a
julgamento.
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