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A fundação de Melres, perde-se na memória do tempo, mas com toda a certeza pode-se afirmar que ela remonta ao período dos Lusitanos, uma vez que é a este povo que se atribui a execução de galerias, nas minas de extracção de metal e que ainda existem aqui nas serranias circundantes, nomeadamente as do Facho, Vale do Fundo, Banjas e Serra de Montezelo.
A prova documental mais antiga remonta ao ano de 951 e testemunha a doação do Lugar de “MELLARES”, pelo Rei de Leão, Ramiro II, à Condessa Mumadona Dias, neta de Vimara Peres.
Nas “Inquirições”, ordenadas por D. Afonso III, já se faz referência ao número de casais e fogos que então aqui existiam e em 1369, D. Fernando ordena que Melres seja considerada termo da Cidade do Porto, demonstrando assim a importância geográfica e estratégica que Melres já detinha nesse tempo. D. Fernando, ao casar com Dona Leonor de Teles e para reforçar o seu título de Rainha, doou-lhe várias “Vilas do seu senhorio”, incluindo a “TERRA DE MERLES EM RRIBA DE DOIRO”.
Outro marco histórico, aconteceu no ano de 1395, quando D. João I, por carta de 2 de Maio, cede como honra, o “Lugar de Santiago” ao então alcaide da cidade do Porto, Pêro Rodrigues Bocado.
Todavia, o marco histórico mais relevante, ocorreu no reinado de D. Manuel I, em 15 de Setembro 1514, quando deu ou confirmou o foral “VILA DE MELRES”. Da importância de Melres na época, atenta bem a referência feita no dito Foral, do Centro piscatório e agrícola e dos tributos que sobre a sua actividade recaíam.
Em 1661, D. António Luís de Meneses, 1º Marquês de marialva e 3º conde de Cantanhede, obteve o senhorio desta Vila. Portanto, enquanto durou a dependência e dado que aquele título era de “juro e herdade”, a vida política, económica e religiosa, ficou sempre ligada á condição dos Marqueses de Marialva.
Melres foi Concelho com Câmara e Justiça próprias, até 1834, altura em que foi extinto, por decreto-lei de Mouzinho da Silveira, após a implantação do regime liberal e integrada no actual Concelho de Gondomar.
Melres mantém ainda, alguma das características, próprias da sua ruralidade, mas poder-se-á dizer, que o crescimento harmonioso dos últimos anos, aliado às suas potencialidades turísticas e paisagísticas, à sua beleza e tranquilidade e ao espírito acolhedor da sua gente, fazem desta Vila, um pólo de atracção turística, não só pela nobreza do Solar da Bandeirinha e dos seus tectos em talha do séc. XVII, mas também a sua beleza natural e o seu património histórico e cultural.
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